domingo, 5 de dezembro de 2010

"Vontade" Política

Sou magrinha, de dar dó

e só existo no Brasil

ultimamente me engordaram

coisa que aqui nunca existiu!


Botaram nego pra correr

perderam todos os fuzil

mais de trinta toneladas

como aqui subiram , ninguém viu


Mas o importante é o resultado

e não como até aqui se seguiu

Povo rico bate palma

povo pobre sempre sorriu


A pobreza do meu povo

traz turismo pra favela

morador teatralizando

velhas bocas na viela


As crianças podem ter

um dia de amanhã

alugando suas casas

para turista Amsterdã


Nos morros do Rio

já não tem mais alemão

sinto prazer de ver

dois milhões de camburão


Os homi de farda preta

não estão de brincadeira

então, trate de guardar na caixa

aquela sua furadeira


Ponto 30 , ponto 50

tudo isso eles levou

as bazucas, os produtos

só dinheiro ninguém achou...


Na tv a audiência

é pro saci que escracha

o dinheiro da milícia

é que mantém a fumaça baixa


Meu plano é perfeito,

pra o povo me aplaudir

deixei por trinta anos

o crime tomar conta daqui


Povo jovem sem estudo

inclusive sem memória

os fardados comandaram

boa parte da história


Mas isso é coisa sem importância

não se lembra por aqui

fomos mal na educação

mas burro mesmo é o Piauí


Tô pensando coisas novas

pro meu Rio e Janeiro

o que é que vou fazer

com esse bando de maconheiro?


Inventar um novo imposto

pra essa erva natural

e botar nas prateleiras

ao lado do sonrisal

terça-feira, 18 de maio de 2010

Esse ano é voto NULO

Pra que um país cotinental, se com veias abertas a recursorragia causa muito mais dano?

Pra que um representante(?) com dois olhos que não enxergam nem quando a esquina dobra?

Pra que um presidente canhoto com um senado destro?

Pra que um botão verde de confirma, se para o povo a confirmação é sempre cinza-chumbo?

Pra que "exercer a democracia de 4" em 4 anos , sempre com uma dedada?

Pra que esperar tanto dos outros , se "esperar não é saber" ?

Pra que converter um direito em dever?

Pra que continuar acreditando que vai melhorar, se o caminho percorrido não muda?

Pra que acreditar na diversidade, se andamos pela linha reta do uniforme?

Pra que uma campanha contra o voto nulo? Não estariam interferindo diretamente no seu livre arbítrio?

Pra que um corpo político sem cabeça tomando nossos braços emprestados pelo botão verde?

Pra que dar ao povo uns trocados no final do mês? Ensinar a pescar sai caro... e pode-se criar um monstro

Pra que entretenimento, se a instrução possibilita a criação?

Não é fechar os olhos, não é virar as costas, não é não se importar. É tentar dizer que algo está muito errado. O Brasil está entrando na cena mundial. Mas os diretores são gringos, ainda.
Eu, como figurante, vou ficar nulo em cena este ano. Com todo o movimento, quem sabe um diretor não volte a atenção ao estático e note que é o único que não quer INTERPRETAR ? Acho que se isto acontecer, vou exercer o DEVER com requinte de DIREITO.

Realidade circular

Nascemos todos quase perfeitos
não fosse a carne, que nos impõe interagir com a limitação
E quanto menos nos comunicamos
mais o redor vive em nossa função
A ausência de raciocínio orientado
é a porta para a fluidez do TODO

Quando aqui chegamos, estamos sob o marco desta porta
e temos a capacidade (simplicidade) de olhar para os dois lados
Não precisamos, contudo, optar
Apenas somos

Por contermos a simplicidade do TODO,
aprendemos sorrindo o que nos é passado
e as dobradiças da porta são acionadas

Na mesma porporção que damos atenção pra cá
o dourado do lado de lá vai escasseando
Talvez dando-se conta que é menos necessário
ou menos presente, ou menos procurado

Quando a porta se fecha já estamos preparados
para passarmos o resto de nossas vidas
buscando um jeito de sermos totais novamente

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A boca reflexiva e o cérebro boquiaberto

Aprendi no colégio que o cérebro manda no corpo. SERÁ?

Já parou pra reparar que quando a gente perde o controle da situação e não há outra saída que não seja chorar, a boca sabe que o cérebro está ocupado ocupando o resto do corpo e faz sua revolução, deixando de trabalhar? A gente simplesmente não consegue completar uma frase. A essa altura, você já está muito nervoso e preocupado em conseguir falar alguma coisa. E aí acaba falando o que não quer, pois quando a cabeça quer provar pro resto do corpo que ainda manda, a última coisa que se presta atenção é no que se fala.

A cabeça negocia a situação e tenta fazer o corpo fingir que nada aconteceu, mas a boca trabalha tremendo, trincando. Só volta ao normal se tiver certeza de que o corpo inteiro entrou em acordo. Só quando o sangue esfria, quando o coração acalma, quando a lágrima seca é que a boca volta a ocupar seu papel de boca na hierarquia do corpo. Paradoxalmente ela mostra sua importância exatamente quando fica calada e faz da greve sua revolução silenciosa. Quando a gente tem milhões de coisas para falar e dividir, mas não consegue.

Afinal, quem é que manda no corpo? A cabeça ou a boca? Poderíamos ter um milhão de cérebros, mas sem ao menos uma boca, tudo aquilo que chamamos "pensamento" seria "vontade de falar". E quanto mais brilhantes os pensamentos, quanto mais revolucionárias as descobertas, quanto mais inacreditáveis as histórias, tanto mais dolorosa seria a vontade de falar. Sem boca para falar, o cérebro se torna prisioneiro de si mesmo.

Começo a achar que na verdade a boca deixa a cabeça pensar que manda... até porque ela não escolhe o que se fala, de modo que o cérebro é sempre seu bode expiatório. Ela induz ao crime de falar o que não se pensou e nunca leva a culpa. A única imcumbência do cérebro é pensar, e até hoje não inventou uma maneira de contornar tal situação... já a boca tem muito mais atribuições (e quantas, não é? ahahhahaha) e mesmo assim consegue o que quer através de si própria, apenas.


Definitivamente, eu adoro as bocas.......

terça-feira, 20 de abril de 2010

Naturalmente enclausurados

... e mais um dia começa.

Não sei bem quais pepinos encontrarei hoje

mas é natural que já estejam plantados.

Evite me chorar tuas pitangas,

que de abacaxi já estou farto.

A alegria da salsa foi trocada.

Trocada pela ofensiva banana nossa

que de muitas maneiras nos é dada a cada dia.

Vindos de semente modificada,

mesmo antes de maduros

somos levados da terra

Quem abre a boca para pensar

pode esperar um tomate na testa,

um ovo podre.

Nunca morda a maçã,

ouço o papagaio repetir

com uma melancia pendurada no pescoço.

Tome de coice , tome de sapo a engolir.

Certo está quem é cordeiro, que não faz cachorrada ao dono

E a vida de inseto ao redor da lâmpada

a cada dia cria mais invertebrados

todos juntos, buscando sua migalha

Em toda essa burrice o leão vigia vários de nós

faminto pelos frutos que nosso tempo cultivou

a passos de formiga

Cai o sol , estamos nós morcegando

tentando fugir da realidade de rato

Outro dia já está engatilhado, carambola!

Mas preguiça somos nós

Deitar como vime seco e macaquear como coelho

é só o que queremos quando estamos a sós.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Inteligência de cova x Marginalidade premiada

Você vive em um sistema solar cheio de planetas.
Você vive em um planeta cheio de continentes.
Você vive em um continente cheio de países.
Você vive em um país cheio de estados.
Você vive em um estado cheio de cidades.
Você vive em uma cidade cheia de gente.

Para cada pessoa uma realidade, um critério de verdade. E para cada critério de verdade, um argumento muito poderoso para legitimá-lo. Para se ter a idéia do quão poderoso é tal argumento, basta ter em mente que você mesmo passa a acreditar nele.

Desde que o homem começou a se organizar em grandes grupos, foram criadas normas para que os diferentes critérios de verdade não entrassem em choque, e assim se conseguisse um grupo coeso e estável. Os grandes grupos passaram a ser chamados de sociedades. E as sociedades se diferenciaram, cada uma guardando as especificidades de seu local de origem, e é claro, cada uma representando um modelo mais ou menos parecido com a realidade (critério de verdade) geral dos indivíduos que as constituem.

A evolução disso tudo eu não preciso apresentar aqui. Basta que você se levante da sua cadeira e olhe pela janela. Veja o resultado da sociedade que seus antepassados deram suas vidas para formar. Veja no que resultaram milhões de guerras levadas a cabo entre diferentes sociedades, cada uma matando os integrantes da outra unicamente por ser esse o único ponto de convergência entre seus critérios de verdade. Matar o outro quando ele não pensa como nós.

O que me incomoda é que o homem tem ficado realmente inteligente de um tempo pra cá. E a linha entre a inteligência e a loucura é quase imperceptível. Assim, o homem começa a agir como louco, fingindo ser inteligente. Você lembra da inquisição? Você lembra do holocausto? Por trás de todos esses e outros quadros estavam homens distintos, inteligentes, renomados... E o que eles fizeram? MATARAM. E homens digníssimos ainda continuam matando, e matarão sempre . Cada um em nome da sua própria realidade.

Agora, vivemos em nossas sociedades cada vez maiores, nas quais fica cada vez mais difícil viver de acordo com a nossa realidade. Porque a nova tendência é unificar-se as realidades, não de acordo com as realidades das sociedades e de seus membros, mas com as de quem comanda esses enormes grupos.

Pergunte a um morador de rua se ele acha bonito ser um morador de rua. Pergunte a ele se ele é o que quer ser. Pergunte se ele acha natural haver moradores de rua. Tente mostrar que assim como você sabe, ele deve saber que existe um livre arbítrio que diz que podemos o que quisermos. Agora , provavelmente você está diante de um mendigo que ri de você descontroladamente. Pronto. Sem dizer nada, alguém que você nunca julgou digno de atenção fez ruir tudo aquilo em que você acreditava. Uma risada sarcástica acaba de calar um comentário "inteligente".

Costumamos dizer que os moradores de rua estão à margem da sociedade. Assim, o que vale pra você não vale para ele. E pra ele... bom. Pra ele não vale nada. Mas quando nada vale, tudo passa a valer... então esse sujeito que está à margem de nossa sociedade está também à margem das nossas leis. E por estar excluído das nossas leis,agora sim, ELE PODE TUDO. Pode dedicar integralmente seu tempo a ser o que quiser. Mas pra você, será sempre um mendigo.

Um mendigo que vive em uma cidade cheia de gente
Um mendigo que vive em um estado cheio de cidades
Um mendigo que vive em um país cheio de estados
Um mendigo que vive em um continente cheio de países
Um mendigo que vive em um planeta cheio de continentes
Um mendigo que vive em um sistema solar cheio de planetas

E mais do que tudo, um mendigo que vive nesse planeta, mas em busca do planeta dos mendigos. Um planeta aonde todos possam ser realmente tudo aquilo que querem....