O reflexo do comum integra-se ao do alheio. Use o espelho e obtenha o vice-versa
segunda-feira, 15 de abril de 2013
05 de março de 2013 , 20:52
Na noite de blecaute, as casas parecem arregalar as janelas com medo do clarão onipresente do raio que ecoa em luz. A explosão luminosa são pratos de orquestra. O rugido da noite, os únicos surdos de bateria mais altos que os do carnaval do Rio.
Uma névoa desce pelo tapete inclinado de árvores que é o Rio, como a lava desce lenta , densa pelo relevo acidentado do vulcão, fazendo o verde vivo do bairro ir ganhando um filtro cinza. É como se uma parte do morro se desprendesse para longe.
... O que desejam vir buscar na terra as mãos em forma de raiz que se esticam pelo céu? A tempestade nos proíbe de ver o resto do universo. Mas é a luz que cintila nas estrelas, a mesma que corta a noite num brilho concentrado e estroboscópico.
As pessoas estão assistindo à novela. As pessoas estão acendendo velas. As pessoas estão ligando para a Light. As pessoas estão paradas no trânsito. As pessoas moram longe. As pessoas estão longe de onde moram. As pessoas têm pessoas na rua. Com elas, preocupação. As pessoas têm pessoas na rua. Por elas, indiferença.
Preciso tomar um banho. Tenho que chegar em casa. Preciso alimentar meu filho. Tenho que chegar em casa. Preciso começar o que tenho que entregar amanhã. Preciso estar aqui amanhã de manhã. Tenh... .
No celular com alto-falante de trio elétrico do cara de pé, num ônibus tão parado quanto cheio: “Aaaaaaaahhhhhhhhh lelek, lek, lek, lek, lek” . No fone de ouvido, Tchaikovsky – Abertura 1812.
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