Hoje posso afirmar que a imprensa internacional está de fato cobrindo os protestos. Nunca fui ouvido pelo IBOPE, DATAFOLHA ou qualquer outra pesquisa desenvolvida no Brasil, ou jornalista sobre assunto nenhum.
Mas ontem, na esquina do Edifício Central, enquanto dizia a Sergio Victor que queria escrever um novo texto sobre (...), fui entrevistado pela imprensa inglesa. O jornalista me entrevistou por cerca de dez minutos fazendo gravação do áudio. Me perguntou o motivo da manifestação dos professores. Me perguntou porque mesmo depois de aprovado o plano de cargos e salários, os profissionais continuavam insatisfeitos.
Vários amigos estavam em volta de mim e ouviram o depoimento, muitas vezes fazendo que "sim" com a cabeça.
Procurei ao máximo desconstruir o discurso oficial. Procurei mostrar que menos de 10% dos profissionais estavam cobertos pelo plano, dizendo que essa manobra era para "inglês ver". Disse que ou o discurso oficial é covardemente mentiroso, ou muito mais de 50 mil pessoas estavam nas ruas porque eram malucas.
Perguntado sobre os grandes eventos que virão, disse que :
1- o isolamento de um bairro inteiro compromete muito mais o direito de ir e vir do que um protesto popular espontâneo. Nesse caso, o poder público usa um argumento falacioso.
2 - a privatização do Maracanã, Meca do futebol, está levando o preço dos ingressos às alturas. Se antes dava pra encher o maracanã com camelôs, professores e outros profissionais mal remunerados; em médio-longo prazo o que se verá é uma elitização do futebol no Brasil. Dentro de algum tempo, veremos que o ambiente do futebol deixará de fazer parte da cultura popular e passará a integrar uma cultura de elite no país.
Tentei mostrar a ele que o governo municipal é papagaio de pirata do governo do Estado. Que o governo do estado tem uma aliança degenerada com o governo Federal (cuja presidente estaria no meio de nós se ainda fosse jovem, e agora tristemente consente que voltemos machucados para casa. Tudo pela governabilidade). E que esses três poderes têm a seu favor, um quarto. A mídia.
Falei para ele que a falta de um maior apoio político a este tipo de causa acontece porque pelo menos 98% da população nacional é educada apenas pela tv, que tem como expoente maior a rede globo.
Para finalizar, disse a ele que muitas pessoas do continente que ele saiu acreditam que o Rio é a capital do Brasil. Disse que eles acreditam nisso porque somos nós os formadores de opinião em nosso país. Mas que em comparação com o resto do Brasil, nossas escolas são privilegiadas, porque na maioria delas os alunos têm um lugar para que se sentem. Ao menos uma refeição garantida. Um quadro onde o professor possa escrever, desde que tenha comprado seu giz. "Essa é uma escola privilegiada no Brasil", eu disse. Em seguida agradeci e o parabenizei por, de fato, estar conhecendo o Brasil.
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