sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Síndrome por escolha?

Tenho escrito já há algum tempo sobre um modelo colaborativo de sociedade. Provavelmente, muitos dos que lerão esse texto já conhecem alguma coisa a respeito. Caso não conheça, avise que mostrarei o que escrevi. Em um futuro não muito distante, tudo será condensado de maneira que o entendimento das partes não seja prejudicado. Segue mais uma parte que integrará esse futuro todo.


Quando o leitor entende e percebe como totalmente possíveis  as bases do modelo colaborativo, sente que sem sombra de dúvida as dificuldades da vida serão diminuídas na mesma medida em que o prazer de viver será multiplicado.  Em uma sociedade onde as pessoas trabalharão com o que melhor sabem fazer, o trabalho sempre será prazeroso. Daí que todo trabalho será um presente. Tanto para o trabalhador quanto para o consumidor. Isso eleva o trabalho à categoria da arte.
O leitor que concordou até aqui , ou o que sentiu entusiasmo com essa proposta, sente-se assim porque entende em maior ou menor grau que, o progresso no modelo todos-por-todos é inevitável. As células do seu corpo trabalham nesse modelo. As da árvore também. As marés, a posição da lua, o sistema solar, o universo. Nada existe por si só. Tudo está em relação a alguma coisa.
Somos todos grãos de sal no oceano que é o planeta Terra, e a única coisa em que concordamos é que cada um de nós é o centro do mundo. Reflita. Em última análise, é o mercado quem nos faz concordar aqui. É o motivo financeiro o responsável por criar e resolver os seus problemas. Ele faz um grão de sal se entender oceano.  E no entanto, estamos todos ilhados. Olhando para nós mesmos, nem tomamos conhecimento que além do outro, está ao nosso lado todo o resto de tudo o mais.

                                                               Orgulho

Achamos que temos o poder de ser produto final. Não entendemos que somos célula de organismo maior. Acreditamos progredir, mas estamos estagnados. Estudamos a sociedade, mas devemos nos abster dela para que nos entendam cientistas.

                                                                Cegueira

A sociedade não melhorará quando cada um melhorar ou estiver bem de vida por si só. Na realidade, o capitalismo não propõe isso. Ande dez quilômetros a seu redor e comprovará. A ideia capitalismo não comporta a ideia igualdade. Só haverá melhora na qualidade de vida do planeta quando todos melhorarem junto. Uma mudança em bloco. Tal objetivo só se alcança partindo de uma mudança de consciência.

                                                               Organismo

A consciência passa então a ser orientada para o outro. Cada um é o outro para todos os outros. Aqui começa a igualdade. Claro, no capitalismo cada um é outro para todos os outros, e por isso mesmo todos são inimigos em potencial. A diferença é que, enquanto no capitalismo estamos em oposição ao outro, no modelo colaborativo estamos em relação ao outro. A oposição também é uma relação. Mas é uma relação negativa. A relação do modelo colaborativo é positiva, pautada na resolução das carências do outro. É estar em função do outro. Todos temos carências que não podemos resolver, enquanto sabemos e podemos resolver carências que não temos. Qualquer sociedade se encaixa nessa proposta. Porque toda sociedade é um conjunto de homens. E a todos os homens falta alguma coisa.

                                                                 Questões

Em hora nenhuma parece vergonhosa (pequena, bitolada, incompleta) a vida que se leva hoje? Devemos mesmo morrer cheios de boas intenções? Será mesmo a vida, acordar todos os dias pensando no fim do mês? Será mesmo alegria , beber muito e ouvir música (“”) alta para que não escutemos o barulho de nossa consciência?

                                                                   Confissão

Me sinto amarrado aqui onde estou. Me sinto fazendo pouco demais, sendo pouco demais. Sinto isso em mim e em todos os outros. E sinto em dobro pelos que não sentem isso. A prática da alteridade é a chave do cofre no qual trancamos nossas vidas. O mercado exige que vivamos em função dele, para que em um dia que não chegará, compremos a chave dele  (o sucesso), abramos o cofre e tomemos nossa vida para nós. E vivemos sem a vida, com base nessa ilusão. Porque o sucesso é cópia mal feita da chave da vida, não abre o cofre. A chave sempre andou com cada um de nós. A questão é que a chave que abre seu cofre está com qualquer um dos outros. E você tem a chave para outros cofres, muitos. O mercado é quem nos faz tentar construir sozinhos uma chave, que é simulacro. Nos afasta do outro para que não obtenhamos nossa chave verdadeira. E o ciclo parece inquebrável.

                                                                   Síndrome

É a sua resistência em mudar de ideia. É o tempo que você não pode perder. Fim do mês está chegando. O mercado está ruim. A taxa de juros subiu. As pessoas só te atrapalham. Poxa, desculpa: hoje não vai dar. Está difícil para todo mundo. Só acontece comigo. As perguntas e afirmações feitas aqui não são minhas nem suas. São de nosso tempo. De todos nós.

Não, você não está sozinho. Você só não está (ainda) em função dos outros.

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