terça-feira, 6 de maio de 2014

Justiça e vingança


Justiça não é vingança. O ser humano ainda não se contenta com justiça porque seu coração tem uma sede interminável e irracional de vingança . A diferença entre justiça e vingança talvez seja mais visível quando as duas terminam. Quando termina a justiça, a tendência é o equilíbrio e a resignação. Quando termina a vingança, reina o desequilíbrio e um aperto na garganta denuncia que as coisas estão fora do lugar, muito mais do que antes.

Nenhuma das duas são capazes de trazer o passado, de desfazer a injúria. Mas enquanto uma deve procurar uma reparação sensata, a outra sempre buscará fazer um mal maior do que aquele que a originou. Daí temos que a justiça busca encerrar um mal, deixando as partes da maneira menos ruim possível. A vingança sempre será a multiplicadora do mal. Quanto mais vingança, mais difícil a justiça.

Quando termina a justiça as partes voltam a sua vida. A vingança não deixa nenhuma das partes viver nem durante e nem depois que ela termina. A justiça está em função das partes. Na vingança, as partes são sua propriedade.

Ainda vivemos num tempo em que todos concordamos que é possível anular nossos pensamentos e interesses para praticarmos a vingança, mas poucos de nós renunciam a si para praticar justiça. Sabemos que é errado matar, mas podemos matar por vingança. Sabemos que é ruim morrer de fome, mas não alimentamos nenhum desconhecido.

Quer saber se sua justiça tem vingança escondida? Antes de começar, pergunte à sua consciência: Vou recuperar o que perdi? É a raiva que move o que estou fazendo? Eu abaixo ou levanto minhas sobrancelhas quando penso nisso? Estou fazendo isso para que minha vida volte ao normal ou para desequilibrar a vida da outra parte? Se alguma resposta começar com "Não" ou tiver um "mas..." , pare. É vingança.

Ficou em dúvida sobre alguma pergunta? Perdoe, e está feita a justiça.

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