Que dia, este dia.
Dia 02 de outubro. Se estivéssemos em 1992, a PM paulista teria executado 111 presos no Carandiru, dos quais mais de 80% não haviam sequer sido condenados. O secretário de segurança seria trocado por um tal de Michel Temer, que diria que " os policiais merecem repouso e meditação ". Agora, em 2016, os PM's foram inocentados no processo. E o secretário da meditação. .. Bem, vocês sabem onde ele está. Mas ok. O delegado responsável pelo massscre (Ubiratan Guimarães) sabe que "aqui se faz, aqui se paga". Procure saber.
Falando em bandidos... Na Colômbia houve a votação de um plebiscito pela paz. O presidente e as FARC entraram em acordo. Os guerrilheiros entregariam as armas e se converteriam em partido político, terminando uma guerra que começou nos anos 1960. O povo votou "não" por uma maioria que não faz um ponto percentual. Pois é. A população diz que eles são crimimosos e devem ser presos. Então o tratado de paz não entrará em vigor, já que a opinião popular é soberana. Olha que merda. O líder das FARC já soltou que o acordo que ele aceita é esse que o povo não quis. Que se não virar partido não entrega arma, e que se tentarem prendê-los, a bala volta a cantar.
No nosso 02 de outubro de 2016, é dia de eleição municipal. E deu segundo turno. De um lado, o Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus , Marcelo Crivela (pra quem eu mesmo trabalhei na produção de conteúdo da campanha de 2008 e deu calote na maior parte da equipe - portanto, quando dou minha opinião sobre ele sei muito bem do que estou falando).
Do outro, um professor, Marcelo Freixo. Um cara que no meio de uma gigantesca crise da representatividade política no país e mesmo sem relativamente um puto para a campanha, conseguiu chegar nesse segundo turno.
Em São Paulo, o tal Dória levou no primeiro turno. O paulista deu a cidade pra um cara que limpa o rabo com nota de dólar. Pra tirar PT, o demônio dos dez mil braços, pai da mentira. Só que o Haddad era um bom prefeito, em se comparando com o conjunto da obra paulista. Ou seja, entregaram de volta a maior cidade do país para a oligarquia.
Vocês conhecem Jucurutu?
Eu "conheci" agora pela tarde. Um tripulante veio todo feliz me contar que "tá saindo de lá uma oligarquia que domina a cidade desde que" a mãe dele era criança. O prefeito da vez era um filho, neto, bisneto e tatatatatataraneto de vinte e poucos anos, um moleque, um playboy.
Jucurutu fica a 3 horas de Natal. Normalmente nas eleições tem o candidato da oligarquia e mais um financiado muitas vezes por eles mesmos, só pra ter aquela figuração bonita.
Eis que lá tem uma professora-vereadora que é conhecida como maluca, já que cagoeta a roubalheira em praça pública pra quem quiser ouvir.
Jucurutu é uma daquelas cidadezinhas. Menor que Atibaia ou Maricá. Uma ante-sala de cu do mundo onde todo mumdo se conhece. Essa professora incentivou o motorista da ambulância (dA ambulância; Jucurutu só tem uma) a se candidatar, já que todo mundo conhece o único motorista da única ambulância. O vice da chapa é um dos alguns g-a-r-i-s da cidade. O cara dirigia a ambulância pela manhã. Depois do expediente ia nas casas das pessoas conversar, chamar pra rua, ganhar voto, mostrar a cara mesmo.
O motorista da ambulância e o gari vão dormir eleitos prefeito e vice-prefeito. Essa é a história sobre eleições que vocês precisam saber hoje.
Paulista, você é burro, cara.
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Atualizando: Jucurutu tem 14 mil eleitores. O motorista da ambulância ganhou por 200 votos, ou seja; menos de um ponto percentual. Esse pentelhésimo percentual fez toda a diferença. De um jeito na Colômbia, de outro completamente diferente em Jucurutu. Às vezes você pode mesmo fazer diferença...
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